Crime organizado, por definição no Brasil, é aquele que conta com
colaboração de funcionários públicos para se estruturar. Pois é o que
ocorre no caso da juíza Elaine Canto da Fonseca, ameaçada de tal forma
pela delinquência que teve de se afastar da área em atuava a criminal
para o exame de questões mais amenas.
Um policial espionou os
dados da juíza, isso já se sabe. O que mais fizeram? É legítimo
suspeitar que a seguiram, que a ameaçaram, até que combinaram alguma
represália contra ela em decorrência dos processos que presidiu. Não
custa recordar que, há cerca de duas semanas, sete policiais (quatro PMs
e três civis) foram presos em Gravataí e, entre as suspeitas que pesam
contra eles, está o uso do banco de dados da Segurança Pública para
ajudar criminosos daquele município.
É imperioso que o poder
público identifique os agentes públicos que rastrearam a juíza e os
mandantes desse delito. Foi justamente desse modo que dois juízes
brasileiros foram mortos neste início de milênio: um no interior de São
Paulo, a mando do Primeiro Comando da Capital (PCC, maior organização de
presidiários paulistas) e outro no Espírito Santo, em trabalho
encomendado pela Escuderia Le Coq, um “esquadrão da morte” formado por
policiais contrariados com a firmeza do magistrado.
Um terceiro
juiz, presidente do Tribunal Regional de Sergipe, foi emboscado, teve o
motorista assassinado e reagiu com tiros de metralhadora. É, no Brasil é
aconselhável juiz fazer treino de tiro. Aliás, vários magistrados
gaúchos têm esse tipo de adestramento. Melhor essa precaução do que
virar estatística macabra.
É preciso reagir, antes que o país
vire uma Colômbia dos anos 90, marcada pelos “juízes sem rosto”, que
usavam capuzes para não serem identificados por aqueles a quem iriam
sentenciar.

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