Um estudo da ONG Global Witness concluiu que 711
ativistas foram assassinados no mundo todo ao longo da última década por
protegerem a terra e a floresta - e mais da metade são brasileiros.
De acordo com a pesquisa, divulgada durante a
Rio+20, 365 brasileiros foram mortos entre 2002 e 2011 ao defenderem
direitos humanos e o meio ambiente.
Para o pesquisador britânico Billy Kyte, o alto
número de mortes no Brasil se deve a uma conjunção de fatores que fazem a
concorrência pela terra e pelos recursos naturais se intensificar e
geram maior pressão - e tensão - no campo.
Ele enumera a desigualdade na posse de terra no
país, com a concentração de propriedades nas mãos de latifundiários; o
grande número de comunidades que tira o seu sustento da terra; e a
atuação de setores cuja produção consiste também em explorar a terra,
como oagropecuário, de mineração e madeireiro.
Mas Kyte acredita também que os números sejam
mais altos no caso brasileiro porque o monitoramento é melhor, graças ao
relatório anual produzido pela Comissão Pastoral da Terra sobre
conflitos de terra no país.

Wutty Chut, diretor de organização de vigilância ambiental do Camboja, foi baleado e morto em abril
Sobretudo em países da África e da Ásia, a ONG teve dificuldades em levantar números de mortos, já que os relatos são esparsos.
"Provavelmente há muitos outros casos que
permaneceram ocultos. E o estudo nem leva em consideração as milhares de
pessoas sendo intimidadas ou ameaçadas", diz. "Há uma grave falta de
informações sobre essas mortes a um nível global, e ninguém está
monitorando."
Uma morte por semana
Segundo Kyte, a pesquisa busca preencher uma lacuna, oferecendo um panorama internacional dos perigos no campo.
Intitulado "Uma crise oculta? Aumento das mortes
decorrentes do acirramento do conflito pelo acesso a terra e as
florestas", o estudo indica que há, em média, mais de um assassinato por
semana em contextos relacionados à proteção ambiental.
O número de mortes vêm aumentando, tendo dobrado nos últimos três anos em relação ao restante do período.
De acordo com Kyte, o objetivo é expor na
Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável que a proteção ao
meio ambiente e aos direitos humanos está se tornando um campo de
batalhas por recursos, e traz cada vez mais risco para as pessoas.

Túmulo de Frederic Moloma Tuka, da República Democrática do Congo, morto em confronto com a polícia
"Pedimos que os governos investiguem esses
assassinatos, façam a justiça e tragam compensações às famílias que
estão defendendo seus direitos à terra e à floresta", diz Kyte.
Os casos investigados pelo estudo são de pessoas
mortas em ataques ou confrontos decorrentes de protestos, investigações
ou denúncias contra atividades de mineração, exploração madeireira,
agropecuária, plantações de árvores, barragens hidrelétricas,
desenvolvimento urbano e caça ilegal.
Sete desses casos estão sendo apresentados a
partir desta quarta-feira na Rio+20, em uma exposição fotográfica com
imagens de sete ativistas e sua história de vida e de morte.
O brasileiro Nísio Gomes faz parte da exposição.
Líder de um acampamento indígena Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul,
ele foi levado por 40 homens armados em novembro de 2011 e seu corpo
nunca foi encontrado.
A terra estava em vias de ser oficialmente
reconhecida como território da comunidade, mas estava sendo usada por
agricultores e fazendeiros locais.

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